Eu estava sentada, ao lume, embrulhada num cobertor. Sentia-a a meu lado, abracei o sofá, como se fosse ela mesmo que estivesse ali. Mas, para infelicidade minha, ela não estava. Larguei o sofá com uma lágrima no olho. Fechei-o, por conseguinte, também o outro se fechou. Fiquei mergulhada num mar de sentimentos, impressões, medos e dúvidas. Sabia nadar, mas não estava preparada para as turbulências que este mar trazia consigo, era digno de bandeira vermelha. As dúvidas eram maiores que qualquer onda. As ondas mais fortes que qualquer corrente. Os sentimentos mais perigosos que o mais temido dos tubarões. Mas tinha de ser mais forte que os “contras”, eu tinha de ser os meus próprios “prós”, tinha de transmitir a mim mesma que podia, mesmo que fosse impossível eu era capaz.
A campainha tocou. Gelei, eu e o meu sangue que num instante parou de correr pelas veias e artérias que percorrem o meu corpo, e concentrou-se no meu olhar, vermelho e petrificado, seria ela? A minha mente acreditava, o meu coração não.
Lentamente, pé ante pé, aproximei-me da porta, pus a mão na maçaneta, não tive coragem de perguntar quem era. A campainha continuava a tocar. Respirei fundo, abri a porta.
Desmaiei psicologicamente, talvez isso não seja possível, mas aconteceu. Era ela, molhada, tremia como nunca a tinha visto tremer, olhos entreabertos escondendo a beleza do seu olhar, mãos enrugadas pelo efeito da água, voz trémula do medo e da visão negra que tinha ao olhar para trás. Mas para trás não é sítio para onde se olhe.
Ainda não conseguia falar, apenas trocávamos olhares sucessivos. Íntimos, apaixonados, sentidos…
Ela deu um passo em frente, tremi, que faria ela? O vento bateu à porta, já estávamos dentro de casa. Ela prosseguiu num movimento paralelo ao solo, estávamos a poucos centímetros de distância. Sentia a sua respiração ofegante, talvez do cansaço, talvez da proximidade entre dois seres que se amavam.
Soltei um simples, mas simultaneamente complexo, “ai”. Não conseguia dizer mais nada. Ela abraçou-me. Estava encharcada, fria, continuava a tremer. Deixei-me levar, coloquei as minhas mãos sobrepostas às suas suaves costas, apertei-a com força. Consoante o abraço se ia prolongando os medos, e as dúvidas iam-se dissipando.
Já não haviam mais desculpas, já nos tocávamos com carinho. A coragem que outrora fora nula ia aumentando a cada segundo. Porém, não quis quebrar o silêncio ensurdecedor que estava a pairar no ar. Não seria por mim que este belo momento teria fim. Ela apertou-me com uma maior força, confesso que doeu, mas era uma dor suportável vinda de quem vinha. Também eu a apertei, queria senti-la para mim, apenas e só para mim. Não a queria dividir com ninguém. Não era ser invejosa, era amar verdadeiramente.
Abri os olhos, também ela os abriu. Parecia destino, mas não…era amor.
Dei dois passos atrás, estava nervosa com a situação. O que teria acontecido? Porque estaria ela ali? O que terá significado o abraço?
Ela sorriu! senti-me rainha do mundo, os seus olhos brilhavam de novo. brilhavam como estrelas, radiosas estrelas.
- Amo-te ! – saiu da boca dela
- Hãã ?
- Amo-te.
- Repete isso.
- Di-lo comigo. – pediu ela.
- Amo-te. – exclamamos os dois.
- Que fazes aqui ? – perguntei eu curiosa.
- Uma loucura.
- Que loucura ?
- A nossa loucura.
- “Nós” não existe.
- Eu quero que exista.
- Amo-te. – disse eu
- Mesmo ?
- Juro.
- Hãã ?
- Amo-te.
- Repete isso.
- Di-lo comigo. – pediu ela.
- Amo-te. – exclamamos os dois.
- Que fazes aqui ? – perguntei eu curiosa.
- Uma loucura.
- Que loucura ?
- A nossa loucura.
- “Nós” não existe.
- Eu quero que exista.
- Amo-te. – disse eu
- Mesmo ?
- Juro.
Ela virou costas, ajoelhou-se, baixou a cabeça. Caminhei para ela, ela caiu. Virei-a para mim, estava com os olhos entre-abertos, não conseguia falar. “Vou morrer” foi o que percebi. “Queria morrer feliz contigo”. Beijei-a, pela primeira e última vez. Ela morreu ali mesmo, nos meus braços. Chorei como um bebé. Abracei-a, apesar de morta ela de certeza que sentia o meu amor por ela. Deitei-me ao lado dela e adormeci. Pedi a Deus para não mais acordar ;x
epá fazes uns textos miuda, lindos :D
ResponderEliminarjá não precisa bateres-me porque já estou cá :p
adoro-te xu <3x